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segunda-feira, 12 de abril de 2010

O Scartaris (Capitulo I- Post 1)

I

Post 1


“Scartaris”. Este nome aparece em um livro no mundo de vocês, chamado “Viagem ao centro da terra”, de um sujeito chamado Julio Verne. Aqui em Eyrion que faz parte de outro universo, no entanto, representa um dos mais poderosos navios piratas que já cruzaram, até mesmo as mais temíveis águas que possam sequer imaginar. Poucas embarcações de qualquer nação, segundo dizem, seriam páreo para ele e seus tripulantes em um confronto direto, ou ainda em alguma emboscada se estivessem distraídos durante um saque.


Mas esta não é exatamente uma historia de navios e guerras e pirataria e suas aventuras e pilhagens. Não, senhoras e senhores, esta é acima de tudo a narrativa sobre os homens e mulheres, goblins, ogros, gigantes e kobolds que já tiveram a honra de pisar no tombadilho desta embarcação.


Ou seria o contrário? Que a embarcação já teve a honra de abrigar em seu ventre?


Esta é uma historia forjada em vapor, ferro e sangue. A historia de homens, mulheres e monstros que tornaram-se lendas, em qualquer porto que se chegue e alguém pronuncie seus nomes ao vento ou numa conversa sorrateira ao fundo do bar, na boca dos bêbados ou dos nobres e suas maquinações escusas. Nos lábios de mercadores ou pessoas do povo.Seja por temor, respeito ou admiração a todos esses notórios, notáveis, bastardos, seus nomes são com absoluta certeza, lendas.


Mas o mais importante que se há de imediato a se saber, é que esta historia termina da seguinte forma, com o Scartaris a todo vapor, cruzando o grande mar inexplorado, não rumo ao por do sol, pois ele jamais ousará se por perante esta embarcação, deixando para trás um rastro de garrafas e suas mensagens, e um oceano sereno e rubro como se tivesse sido tingido por todas as criaturas vivas nos mares. E nada irá pará-lo. E nem a noite o irá pegar. Sopra o vento e o mar.


E o sol nunca irá se por sobre aqueles adoráveis bastardos. Jamais.


Quinze nós de velocidade, apenas com o vento, vinte e cinco com vento e vapor, e dizem ainda que ele conseguia chegar a mais em ocasiões especiais, muito mais que qualquer outro navio de sua época. Engrenagens. Vapor. O suor mescla-se com a água dos canos. O ano de nosso senhor de 1758, se é que é relevante saber, foi o ano em que a Rainha Vitória voltou ao trono, aqui em Eyrion, e ela governaria ainda por mais duzentos anos em nossa linha de tempo.


As garrafas e suas mensagens ao balanço das águas do oceano ficam para trás, nos deixando uma grande pergunta. Quem eram os integrantes da tripulação do Scartaris? Do que eles foram forjados? De onde todos vieram? Como foram parar ali? E quais foram seus motivos para tudo aquilo? Aquilo o que? Aguardem e saberão.


Talvez valha a pena saber nesta apresentação que as velas do Scartaris foram feitas, pelas fiandeiras do destino, as Parcas, as Moiras, as Fates, talvez fosse do interesse de alguém ter a notícia, que ele era um navio bastante incomum, mas saber disso nem de longe é tão importante quanto saber que mesmo o mais insignificante de seus membros estava entre o mais indomáveis dos mortais. E eles jamais se curvariam. Muito menos por medo.


O Scartaris teve durante toda sua existência apenas dois comandantes. Jack “olho saltado” McLoud que segundo reza a lenda foi também seu engenheiro e construtor, teria feito tudo sozinho, mas todos sabem como são essas historias de marujos, da realmente para confiar?É contado que como ultimo desejo antes de seu sucessor assumisse o comando ele fosse colocado no lugar da carranca na proa do navio, pregado, pois nenhum abutre ou verme ousaria tocá-lo de tão feio que era, e assim foi.


E se aquela coisa marmórea segurando uma velha garrafa de whisky draconiano, coberta de limo pendurada na proa é mesmo o velho Jack, com todos os diabos, o bastardo era realmente muito feio. Mas sinceramente espero que seja apenas uma carranca entalhada no mármore.

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