Post 2
Em algum ponto dos portos, do tempo. Todos os marujos aguardam as linhas, que escritas por eles mesmos de seus destinos, cruzarem-se, tomando á força das mãos tremulas das deusas fiandeiras seu curso. Donos de seu próprio destino, piratas. Ao tremular da Jolly Roger ao vento. Deixando para trás um céu alizarin crimson-vermelho china-alaranjado poente. Quebrando mais uma vez todas as leis a todo vapor. E nada irá deter o Scartaris, nem ninguém, nem mesmo os deuses ousariam.
Em algum lugar do espaço-tempo um homem gira sua colt-thompson de repetição e dispara em um saloon. Uma meretriz grita no alto da escada. E o tempo é cortado em pedaços na base da bala. Ágil.
Em outro lugar, os batimentos cardíacos de outro aceleram e ele despede-se de um ente querido e sorri. Em algum porto do tempo, um pouco mais longe que o normal um homem faz acrobacias vestindo sua roupa de cores berrantes e uma reverencia antes de cravar sua espada em seus inimigos. Rápido.
Barulhos de engrenagens e hélice e um flash de luz em um beco escuro da Inglaterra do leste. Tudo isso rápido demais. O tempo passa acelerado ao disparo de uma bala de canhão. E tantos outros destinos se cruzaram para isso. Na mais alta das velocidades.
Horas antes de como esta história termina. Passos na noite. No cais. Se algum corvo gritasse “Nunca mais” o pirata com sua garrafa não estranharia, mandaria todos os palavrões do mundo, como é de praxe no linguajar de todo marujo nascido em Porcamiséria, um país livre próximo a Zanzibar. Ele caminha em direção ao lendário navio, vezes quase caindo.
Há tantas historias sobre aquele fantástico galeão a vapor , contam inclusive, que seria o barco quem escolhe seus marujos. E se isso é verdade, se o Scartaris realmente olha os corações de seus tripulantes, somente os melhores foram selecionados por ele, para fazer parte dele.
O velho marujo pragueja, no porto mais bêbado que qualquer outro filho da puta, senta na beira do cais, conversa com um vira-latas que sente asco de lamber sua cara. E ri conversando também com a velha carranca de Jack “Olho saltado”, sem resposta.
E o som do ranger da madeira naquele cais era apenas o prenúncio do som do mar com suas mensagens na garrafas deixadas para trás. E os eventos vem em cortes fora de seqüência. O ultimo capitão do Scartaris sente o álcool verter garganta abaixo. Respira. Bate no peito. Faz um brinde ao “Olho Saltado”. E o velho Nobrum bebe outro gole, naquele ponto das horas. E ri olhando para a velha carranca marmórea do navio. Abraça o cachorro que só falta pedir socorro e resume-se a latir. Risadas na noite escura.
O tempo flui para outro ponto e pulsa. É dia e o sol está no céu.Todos os humanos , ogros, goblins e kobolds ao convés! Todos vocês bastardos e patifes!. “Honra e glória a todos os javalis!” este grito ainda ecoa no tempo e todos saberão o porquê. Pois mais importante do que saber como esta história acaba, era saber quem eram os marujos do Scartaris e do que eles foram forjados.

Nenhum comentário:
Postar um comentário